quarta-feira, 31 de agosto de 2016

COMO A BÍBLIA ESTÁ ORGANIZADA

Por Vinicius Moura 

A Bíblia está dividida em duas grandes partes – Velho e Novo Testamentos -, escritas em épocas diferentes e em línguas distintas (respectivamente em hebraico e grego).
O texto bíblico está organizado em livros, capítulos (contendo títulos) numerados e versículos numerados. Os capítulos (com títulos) e os versículos não faziam parte do texto original, tendo sido acrescentados depois (entre os anos de 900 e 1.500) para facilitar a consulta ao texto bíblico que é muito extenso. 
Por serem recursos introduzidos bem depois do que os textos foram escritos, costumam haver pequenas diferenças nos números de capítulos e versículos, bem como nos títulos dos capítulos, quando são comparadas diferentes versões da Bíblia. 
A organização do Velho Testamento                                                                  O Velho Testamento também é conhecido como Bíblia Hebraica porque é o Cânone reconhecido pelos judeus – os livros, na versão judaica, são apresentados em ordem diferente da seguida pelos(as) cristãos(ãs).
O texto do Velhos Testamento contem trinta e nove livros dividido em quatro partes:
Pentateuco                                                                                             Conjunto de cinco livros (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) que contém os relatos dos primórdios da humanidade e do povo judeu, inclusive a saída da escravidão no Egito. Contém também a Lei dada por Deus.
A autoria do Pentateuco é tradicionalmente atribuída a Moisés, embora pelo menos exista mais um autor desses textos, pois o relato fala da morte e do enterro do próprio Moisés, parte que obviamente não poderia ter sido escrita por ele. Há diversas teorias sobre o número de autores (de um até cinco) que  escreveram o Pentateuco mas essa discussão foge ao escopo deste post. 
Livros Históricos                                                                                         Doze livros – Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester – de autores desconhecidos, provavelmente historiadores oficiais da corte dos reis de Israel e Judá. Esses livros contam a saga do povo de Israel por cerca de 1.000 anos, desde sua entrada na Palestina, até o retorno do exílio da Babilônia. 
Livros da Sabedoria                                                                          Cinco livros – Jó, Salmos (o hinário do povo de Israel), Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. O primeiro livro tem autor desconhecido, o segundo foi escrito por diversos autores (a maior parte pelo rei Davi) e os outros três foram escritos parcialmente pelo rei Salomão, certamente com a contribuição de outros autores (não sabemos ao certo quantos). 
Livros Proféticos                                                                                         Dezessete livros – Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel, Daniel, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias – escritos por diferentes profetas. É importante observar que profecia, do ponto de vista bíblico, não é apenas uma mensagem sobre o que vai acontecer no futuro (conforme muitos entendem hoje em dia), mas principalmente conselhos, orientações, críticas e outras manifestações transmitidas ao povo por pessoas chamadas especificamente por Deus para desempenhar esse papel. 
A organização do Novo Testamento                                                               O Novo Testamento é formado por vinte e sete livros, divididos em quatro partes:
Evangelhos                                                                                               Quatro livros – Mateus, Marcos, Lucas e João – que são essencialmente relatos da vida e do ministério de Jesus. A tradição indica que eles foram escritos por apóstolos (Mateus e João) ou por companheiros de apóstolos (Lucas, companheiro de Paulo, e João Marcos, companheiro tanto de Paulo como de Pedro).
Por conta dessa proximidade de Jesus, os evangelistas tiveram acesso privilegiado a informações do que de fato aconteceu durante a vida d´Ele, especialmente durante os três anos do seu ministério.
Relato do início da história da Igreja Cristã                                                       O livro do Ato dos Apóstolos, escrito por Lucas, o mesmo que escreveu um dos Evangelhos, conta a história do início da vida da Igreja cristã. Contém muitos relatos interessantes, como o dia do Pentecostes (a chegada do Espírito Santo), o primeiro Concílio da Igreja, as questões políticas, as viagens de Paulo e muito mais. 
Cartas apostólicas                                                                                               Vinte e uma cartas escritas por diferentes apóstolos. Foram dirigidas para igrejas locais ou pessoas e contém orientações sobre doutrina e comportamento cristão, como também arbitram conflitos locais. 
As cartas também contam alguns fatos sobre o início da vida da igreja, completando o relato do Atos dos Apóstolos. Os autores das cartas são:  
  • Paulo: Romanos, 1 e 2 Corintios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito e Filemon. 
  • Autor desconhecido: Hebreus. 
  • Tiago (irmão de Jesus): uma carta de mesmo nome. 
  • Pedro: 1 e 2 Pedro. 
  • João: 1, 2 e 3 João. 
  • Judas: uma carta de mesmo nome. 
Apocalipse                                                                                   Livro atribuído ao apóstolo João (o mesmo que escreveu um dos Evangelhos e três cartas), que fala sobre uma visão que o apóstolo teve do Cristo Glorificado (Jesus depois que voltou para junto de Deus Pai).
O texto contem muitos símbolos e metáforas, para não poder ser compreendido por gente que não fosse cristã, para fugir a perseguição que havia naquela época (final do primeiro século da nossa era).
O Apocalipse fala essencialmente do que vai acontecer no final dos tempos e introduz personagens como a Besta do Apocalipse (o Anti-Cristo), o Falso Profeta, as Duas Testemunhas, etc.
Comentário final                                                                                          Todos esses livros, escritos por dezenas de autores, guardam um tesouro de ensinamentos que continuam atuais. O que mais impressiona é a harmonia dos livros, cujos se complementam e nunca entram em contradição.
Isso é justificado pelo fato que todos os textos foram inspirados pelo Espírito Santo, que orientou cada autor sobre o que devia ou não dizer. É exatamente por isso que nós, cristãos(ãs), entendemos a Bíblia como a Palavra de Deus, nossa regra de fé e de comportamento. 
 Com carinho
http://www.sercristao.org/2016/07/15/organizacao-da-biblia/

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

COMO ESTUDAR A BÍBLIA: CONSELHOS PARA OS INICIANTES PARTE 2

Por Vinicius Moura -

Por onde começar 
Eu sempre recomendo que a pessoa comece a estudar a Bíblia por um Evangelho. Ali será possível ver um pouco da história da vida de Jesus e conhecer seus principais ensinamentos. Todos os Evangelhos têm linguagem fácil de entender e contam muitas curiosidades sobre o que aconteceu, sendo portanto uma leitura muito agradável. 
Como não dá para ler os quatro Evangelhos de uma vez, minha sugestão é ler primeiro Lucas, não por ser o mais importante e sim por ela ter uma continuação que relata o começo da história da igreja cristã (Atos dos Apóstolos). Ao estudar esses dois textos em continuidade, você conseguirá entender bem como tudo começou: primeiro veio o ministério de Jesus e, depois de sua ressurreição, o trabalho dos apóstolos no desenvolvimento da igreja cristã, especialmente de Paulo.

Outra leitura recomendada para o inícios dos estudos bíblicos é a dos chamados livros da sabedoria.Em especial os Salmos e os Provérbios. Os Salmos eram os hinos que o povo de Israel usava durante suas cerimônias e/ou peregrinações religiosas. Há tido tipo de salmo – de conforto, de alegria, de louvor a Deus, logo há uma leitura para cada tipo de situação que você venha a viver. Os mais famosos são os salmos 23 e 91.

Os Provérbios são aforismos – pequenas pérolas de sabedoria -, escritos pelo rei Salomão. As mensagens são muito edificantes e ajudam bastante no desenrolar da vida cristã.

Os Salmos e os Provérbios podem sempre ser lidos em paralelo ao estudo de outros livros – como Lucas e Atos dos Apóstolos. Uma coisa não interfere ou atrapalha a outra.

Quando você tiver concluído a leitura de Lucas/Atos, sugiro que você vá para o começo da Bíblia e leia a história da formação do povo escolhido – Israel. Comece com Abrão e sua família (Gênesis, a partir do capítulo XX), depois passe pelo Êxodo (saída da escravidão do Egito), depois vá para Josué (a entrada na Terra Santa), Juízes e depois chegue até a época da monarquia (1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis). Ao final, você terá uma boa ideia de como foi a vida de Israel e dos problemas que esse povo enfrentou durante seu turbulento relacionamento com Deus.

Outra leitura interessante, que pode ser feita em paralelo com a da historia de Israel, é a dos demais Evangelhos (Mateus, Marcos e João). São outras visões da mesma coisa – a vida e o ministério de Jesus – e também são leituras bem agradáveis.

Quando você já sem sentir mais confortável com a Bíblia, você poderá ir atrás de “alimento” mais pesado, como as cartas do apóstolo Paulo (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios e 1 e 2 Tessalonicenses). São textos muito mais densos, que aprofundam muitos aspectos da teologia cristã. O estilo de escrita de Paulo não é simples de entender: ele usa muito “jargão” cristão e suas frases são compridas e cheias de apostos. Mas nenhum cristão pode dizer que estudou a Bíblia sem ter passado por esses textos fundamentais.

É preciso ter Comentários sobre a Bíblia?
Existem comentários de todos os tamanhos e graus de profundidade. Muitos são bons e outros nem tanto. Há comentários que abrangem apenas um livro da Bíblia, enquanto outros comentam toda a Bíblia num único volume. Alguns comentários são do tipo “verso a verso”, o sejam vão comentando o que está escrito versículo a versículo em determinado livro da Bíblia. Outros já são mais genéricos e dão um panorama geral do livro e chamam atenção para os versículos mais importantes. 

Se você dispuser de uma Bíblia comentada, não vai precisar adquirir comentários específicos para os quatro Evangelhos, Atos dos Apóstolos e a história do povo de Israel (Gênesis, Êxodo, etc). Mas certamente vai precisar de ajuda mais especializada para estudar as cartas de Paulo.

Palavras finais
Comece a ler a Bíblia hoje. Tome a decisão e mergulhe de cabeça. Não adote a mesma abordagem que muita gente usa com regimes para emagrecimento: “segunda feira próxima eu começo sem falta“.   
Comece com o que você tem em mãos – uma Bíblia em qualquer versão, com ou sem comentários. Depois vá aos poucos comprando o material auxiliar que eu sugeri ao longo deste texto (Dicionário, comentários, etc). 
Se você realmente se empenhar em estudar a Palavra de Deus, pode ter certeza que o Espírito Santo vai falar ao seu coração. Eu já passei por isso e posso garantir. 

Caso surjam dúvidas – e ela vão surgir -, não tenha vergonha de perguntar para seu pastor, professor da Escola Dominical ou mesmo para mim aqui no blog. E não se surpreenda se aquela pessoa para quem você perguntar também não saiba. A Bíblia é muito vasta e ninguém pode dizer que sabe tudo sobre ela.

Com carinho

COMO ESTUDAR A BÍBLIA: CONSELHOS PARA OS INICIANTES PARTE 1

Por Vinicius Moura

Uma pergunta que sempre me fazem é: Como devo estudar a Bíblia? E o pior é que não há uma resposta simples a ser dada, pois a Bíblia é muito grande, tem todo tipo de texto (história, poesia, parábolas, aforismos, filosofia de vida, etc) e a linguagem muitas vezes não é simples. Mas, para aqueles que tiverem paciência e persistência, posso garantir que o estudo da Bíblia traz sabedoria, consolo para os problemas da vida, orientação permanente e muito mais. Vale muito a pena.

O primeiro conselho é: se você não tem hábito de ler a Bíblia, procure ir aos poucos. É como entrar em forma – não adianta ir a uma academia e tentar fazer tudo num dia só. Livretos para leitura e reflexão diárias – Cenáculo, Pão da Vida – é um bom começo. Eles trazem um pequeno texto bíblico e uma reflexão sobre ele, são muito fáceis de usar e baratos. Mas isso não é verdadeiramente estudar a Bíblia e sim refletir sobre algumas passagens dela. Serve para ir se acostumando com os conceitos que a Bíblia transmite e com a linguagem que ela usa.

Material Básico
Para ir em frente, naturalmente, é preciso ter uma boa Bíblia. O sentido de “boa” aí se refere à tradução e aos comentários que acompanham o texto principal, não à Bíblia em si. 
Há todo tipo de tradução disponível e a mais comum é a de João Ferreira de Almeida, que existe em várias versões (Corrigida, Corrigida e Atualizada, etc). Essa tradução tem uma linguagem muito bonita – eu diria até majestosa – e é aquela que você vai ouvir ao frequentar igrejas evangélicas. 
Mas não é a melhor para quem sai do zero, porque sua linguagem muitas vezes assusta. Recomendo, portanto, a “Nova Versão Internacional” ou a “Versão na Linguagem de Hoje”, ambas da Sociedade Bíblica do Brasil. Elas têm linguagem mais atualizada aos padrões de hoje, sem distorcer o conteúdo, como acontece com algumas traduções “moderninhas”. Se você puder ter também uma cópia da versão João Ferreira de Almeida para comparar uma versão com outra, será melhor ainda.

Muitas Bíblias são “empacotadas” para atender diferentes públicos: “Bíblia Teen”, “Bíblia da Mulher”, Bíblia Pentecostal” e assim por diante. Isso é feito agregando comentários escritos por especialistas que enfatizam certas passagens bíblicas. É importante sempre perceber que os comentários não fazem parte do texto bíblico em si e que há comentários bons e ruins, conforme o especialista que o escreveu. Isso é muito importante, porque as pessoas acabam misturando as coisas e tomando como Palavra de Deus aquilo que não o é. Logo, é preciso tomar cuidado sobre o “pacote” que se usa, para ler comentários adequados – os “pacotes” publicados pela Sociedade Bíblica do Brasil normalmente têm qualidade adequada. 

A Bíblia, como ocorre com qualquer campo de estudo, tem seu próprio jargão. São palavras que você encontra somente ali e nos livros de comentários sobre ela, como “Verbo” Divino, “Pão da Vida”, justificação, etc. E é preciso ir se acostumando com esses termos e entender bem seu significado. Por isso, dispor de um Dicionário de Termos Bíblicos pode ser de grande ajuda – há muitas ofertas diferentes no mercado, para todos os preços e em diversos graus de profundidade. Se você está começando, compre um texto mais básico.

Plano de Estudo
O próximo passo é fazer um plano de estudo. Isso envolve em primeiro lugar, ter uma rotina para estudar – por exemplo, reserve meia hora do seu dia, no momento que lhe for mais adequado. Procure um lugar quieto – não vale estar com a televisão ligada, pois isso distrai muito – e comece orando e pedindo ao Espírito Santo iluminação para aquilo que você vai fazer.

Não é boa medida ficar compensando horas de estudo – “deixei de estudar dois dias, mas no sábado eu compenso, estudando mais.”  Não funciona dessa maneira. Estudar longas horas não será produtivo para quem está começando.
 
Depois é preciso que você defina como pretende estudar. Há duas formas de fazer isso. A primeira delas é escolher um tema – por exemplo, salvação – e procurar tudo que existe na Bíblia sobre ele. 
É importante lembrar que a Bíblia não é um compêndio de teologia, como os que encontramos nas livrarias. Os ensinamentos da Bíblia sobre cada assunto estão espalhados ao longo do seu texto e, às vezes, algo que é dito no primeiro livro, o Gênesis, vai encontrar eco no último livro, o Apocalipse. Isso torna o estudo sistemático de um tema (nome dessa forma de estudar) muito difícil para fazer sozinho. Se você escolher esse caminho, não deixe de comprar um bom livro texto de Teologia Sistemática para guiá-lo.

O problema com esse tipo de estudo é que a pessoa fica “pulando” entre livros da Bíblia e acaba nunca criando um quadro mais organizado na cabeça de como a Bíblia verdadeiramente é. E também esse tipo de estudo pode ser um pouco cansativo – requer que a pessoa já tenha uma boa experiência com a Bíblia.

A outra forma de estudar a Bíblia, que eu acho mais adequada para quem está começando, é ir estudando os livros mais ou menos na ordem em que são apresentados, para ir construindo aos poucos um panorama geral. Aliás existem livros textos chamados de “Panorama” ou “Introdução” que fazem exatamente isso, analisam livro por livro – seu lugar no quadro geral,  quem escreveu o quê, as razões para o livro ter sido escrito, o tipo de linguagem usado, etc.

Esse tipo de estudo é mais interessante. O problema é que seu ensinamento sobre temas específicos – por exemplo, salvação – será incompleto, pois você somente saberá o que aqueles livros que você porventura tenha lido falarem sobre esse determinado tema. E aí o mesmo tema pode ser muito expandido em outro livro da Bíblia, gerando certa confusão.

Como você pode ver, não há uma maneira perfeita de abordar um texto tão rico como a Bíblia, especialmente para quem está começando. Mas reitero que, para mim, o melhor caminho é começar por estudar alguns livros conectados entre si pela história dos fatos relatados. É mais agradável de ler e a pessoa vai entrando aos poucos no “mundo Bíblico”. 
                          Continua na parte 2